Para quem não leu a primeira história e quiser ler, clique aqui.
Essa agora não é engraçada, é um pouco triste mas como me lembro dela de vez em quando eu resolvi colocá-la aqui. Afinal a vida não é feita só de histórias alegres, né? Pois então. Vamo lá:
Era 2005, ano em que vim morar aqui em Salvador. Era nova na cidade e no prédio. Conhecia pouca gente e ainda estava solteira.
Data: 07 de Setembro. Quarta-Feira. Como era um feriado nacional, estava em casa tomando meu banho, por volta das 09:30h, quando ouço a campainha tocar.
-Putz, que hora para alguém fazer visita! E por que será que o porteiro não avisou nada? Ai meu Deus, quem será?
Fiquei nessa preocupação enquanto me enxugava rapidamente e fui até o olho mágico ver quem era.
Pausa aqui para um fato incidental:
Dois dias antes, quando estava no elevador descendo para ir ao trabalho, entra uma vizinha, moradora do 4º andar e elogia bastante o meu perfume. Eu sorri, agradeci e ela me perguntou se eu era nova lá, que nunca te me visto antes e me convidou para ir lá em seu apartamento "qualquer dia desses" para eu ver umas bijouterias que ela vendia ou fazia, sei lá. Eu nunca fui.
Fim da pausa.
Eis que diante da minha porta estava ela, a vizinha do 4º andar.
Fiquei um pouco surpresa, me perguntando se eu havia dito a ela onde eu morava, mas abri a porta assim mesmo. Se pudesse voltar atrás, eu fingiria que não tinha ninguém em casa.
Não lembro exatamente as palavras do diálogo, mas sei que ela parecia muito nervosa e envergonhada, dizendo que o filho pequeno dela estava muito doente, que ela era separada, que estava sozinha com ele e não sabia o que fazer, estava sem dinheiro pro táxi e... me pediu emprestado.
Quem me conhece sabe que não sou muito mão aberta. Já falei nesse mesmo blog a quantidade de vezes que saí pra comprar e não comprei nada, simplesmente por pensar bastante antes de gastar com algo que não tenho certeza que vale o que custa e que eu realmente preciso.
Porém eu tenho certa tendência de querer ajudar as pessoas. E, graças a Deus, dinheiro nunca me faltou, nem mesmo naquela época, morando sozinha, pagando aluguel e condominio e tal e coisa.
O fato é que eu acabei emprestando o dinheiro para a mulher.
Era vizinha, eu sabia onde morava mesmo... enfim. Ela saiu sorridente, muito agradecida, jurando de pé junto que devolveria tudo em breve.
Bom, pra encurtar a história, no mesmo dia eu descobri através do porteiro que ela era uma safada caloteira, que devia dinheiro pra Deus e o diabo, que não pagava o condomínio, que tinha fila de cobradores na porta dela, que gostava de fazer um barraco, que se confiava em um parente que parece que é advogado, não se sabe se é verdade, e no final das contas ela nunca me devolveu o que devia.
Depois que casei e até hoje eu moro no 5º andar, bem EM CIMA do apartamento dela. Ouço os gritos dela com o filho (tenho pena dele), ouço ela xingar todo mundo no telefone, praguejar a vida e vejo o quanto ela é infeliz, de mal com o mundo. Quando ela passa por mim, baixa a cabeça para não me encarar. Não diz nem um 'oi'.
O dinheiro? Deixei pra lá. Não está me fazendo falta nenhuma. Pelo contrário, acho que está faltando é pra ela. O condomínio quem está pagando é o filho que mora em Sampa. Fez acordo com o síndico.
Para mim ficou uma lição: aprendi a ser mais desconfiada e menos generosa com as pessoas, graças a ela.
Humpf
Há 3 semanas
Felizmente, no mesmo dia, à noite, Rosinha e eu começamos a namorar. [modéstia mode off] Vim trazer a alegria que faltava para a vida dela [modéstia mode on].
ResponderExcluirVc. tem toda razão, a história é mesmo triste. Triste porque te fez menos generosa e mais desconfiada. Seria muito bom se pudéssemos acreditar cada vez mais nas pessoas e não cada vez menos. Mas, infelizmente, tá cheio de gente que se aproveita da bondade alheia...e se não tomarmos cuidado, somos explorados descaradamente.
ResponderExcluirLamentável.
Sua fluência para escrever é muito bacana. è bem agradável de se ler.
Um abraço e bom domingo.
É errando q se aprende, né? Essa aí vai ser uma infeliz por muito tempo, mas que bom q vc pôde oferecer algo que n lhe fez falta. Imagina se aquele fosse o dindin de algum compromisso? Se quiser cobrar me avisa q adoro um barraco... rsrsrsrs... brincadeira...hehehehehe
ResponderExcluirAdorei o comentário do marido, foi o dinheiro, veio um amor, rs.
ResponderExcluirEu sou assim desde sempre Rosinha, aliás minha mãe ensinou isso as filhas.
Mas a vida é assim, vivendo e aprendendo.
bjks
kkkkkkkkkkkk
ResponderExcluirAlexandre.. so voce...
hauahauhauahauahuahau
Aqui em São Paulo a Veja tem uma edição especial para eventos da cidade - chamamos de Vejinha.. não sei se aí em Salvador tb tem. Ocorre qu eles fizeram uma reportagem especial chamada "Profissão Mendigo" .. os reporteres descobriram de tudo: gente que fingia ser deficiente, gente que trabalhava de dia e pedia de noite, gente que fazia compra no pão de açucar (nem eu faço). Depois disso fiquei muito apreensiva e comecei a pensar em N possibilidades. Finalmente cheguei a única conclusão: A Bíblia. Jesus disse que temos q dar a quem nos pede. O que a pessoa vai fazer é problema dela. Desde então minha atitude é só uma: se posso ajudo, se não posso não ajudo. Eu sei que é mais inteligente ajudar instituições e bla bla bla, porém me limito a fazer o q está em minhas possibilidades. E tento parecer um pouco mais com Deus, que não se importa nem um pouco com o que e faço com aquilo que Ele me dá - Continua me oferecendo de graça - SEMPRE!
ResponderExcluirÉ Rosangela, tb morava no mesmo prédio e quase caí no mesmo "Golpe"... Mas achei muito estranho pq ela falou que morava a muiiito tempo no prédio... e pq veio pedir emprestimo logo a mim que nem a conhecia? E no meu caso ela pediu algo em torno de R$250,oo... nem que quisesse teria o valor em mãos na hora...
ResponderExcluirQuando cheguei na portaria tb procurei saber do porteiro quem era a criatura... e me falou a mesma coisa...