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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Quando os iguais são diferentes

No ano passado um evento muito trágico aconteceu em Santa Catarina. Na época, a televisão noticiou exaustivamente, fez campanha para doação de roupas e alimentos, além de produtos de higiene pessoal. Vários voluntários foram até lá ajudar a reconstruir o estado. Na internet, a manchete estava sempre em destaque e os números da agência e conta da defesa civil estavam sempre sendo lembrados para que a população exercesse sua solidariedade. E foram muitas as doações, o povo brasileiro é muito solidário, não?

Essa semana aconteceu uma tragédia no Pará. Choveu mais que o dobro esperado para o período e alagou a cidade de Altamira, deixando milhares de desabrigados. Famílias inteiras perderam tudo o que tinham, entre parentes e pertences. Lavouras foram destruídas, animais e crianças desaparecidos, tristeza e mortes.

Na televisão, uma notícia no dia (que dia foi mesmo?) do acontecimento e só. Talvez muitos de vocês nem tenham conhecimento desse fato. Na internet eu não encontrei nem uma notinha nos maiores portais. Nem uma foto para ilustrar o post.
Agora eu pergunto: POR QUÊ? Altamira fica em outro país? Os paraenses também não são brasileiros? Não precisam de ajuda? Por que tratamento diferente para vítimas de tragédias iguais?

sábado, 3 de janeiro de 2009

Novo ano, novos planos - 2

E então 2008 ficou para trás. Virou história.

2009 está só começando e, com ele, muitas esperanças de fazer algo diferente e melhor. Pode soar clichê mas, quem não faz planos em cada início de ano? A ideia de rever os conceitos, acertar os erros e começar de novo é tentadora e até saudável. Afinal é sempre válido tentar ser melhor para si, para os outros e para o mundo.

Eu já fiz algumas resoluções e uma delas eu descrevi no post anterior. A outra é procurar uma forma de me exercitar. Talvez tentando gostar de malhar ou malhando sem gostar mesmo, ainda não resolvi essa questão, haha.

Profissionalmente eu pretendo fazer o meu melhor, mesmo estando insatisfeita e querendo mudar de área. Não vale a pena tornar pior o que já está ruim. Uma vez li em algum lugar que "se você não trabalha no que gosta, tente gostar do seu trabalho". Concordo plenamente.

Outras ideias não chegam a ser resoluções, mas continuidade de algo que me faz ou me fará muito bem futuramente: continuar me dedicando aos estudos, continuar a reeducação alimentar que me tem feito voltar à boa forma, continuar doando minhas roupas e sapatos quando não mais me servirem e continuar tratando as pessoas com gentileza e cordialidade. Aliás, essa última atitude deveria ser tomada por todos para termos a tão aclamada PAZ no ano novo.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Deus existe

Saio do trabalho sempre no mesmo horário, todos os dias e tenho cinco opções de linhas de ônibus que me servem para voltar pra casa. Pelo menos um deles passa praticamente no mesmo instante em que chego ao ponto para esperá-lo. Todos os dias, com exceção de ontem.

Cheguei ao ponto de ônibus por volta das 17:30h e comecei a estranhar a demora do coletivo.

17:35h... 17:40h... 17:45h...

- "Nossa, o que tá acontecendo hoje? Será que foi algum acidente lá atrás?".

17:50h... 17:55h e ele aparece:

"Opa! Olha ele aí! Até que enfim!".

O ônibus estava cheio e procuro correr para encontrar um lugarzinho menos desconfortável até chegar ao meu destino. O trajeto é curto, são 15 minutos por causa do pequeno congestionamento naquele horário, e não demoro a descer. O ponto onde eu desço fica distante algumas quadras do condomínio onde moro, de forma que tenho que completar o trajeto a pé, por uma ladeira de paralelepípedos. Se soubesse o que estava acontecendo...

Quando estava quase no final da descida, passa por mim uma jovem falando ao celular:

"Fulano, diga para ela não descer porque teve dois tiros...".

Continuo a caminhada. Ao chegar na portaria do condominio, notei a ausência do vigilante, embora o portão estivesse aberto. Passo pela guarita, e no caminho até o meu prédio, escuto outro jovem falando ao celular:

"Foi dois tiros mesmo, mas não vi como foi não...".

Até então a minha ficha ainda não tinha caído e foi preciso eu passar perto de um grupo de pessoas e ouvir novos comentários para eu deduzir o óbvio: houve um tiroteio aqui. Ninguém sabia detalhes exatos, perguntei ao porteiro do meu prédio e a única informação que ele tinha é que tinha acontecido poucos minutos antes de eu chegar:

"Isso foi há uns dez, quinze minutos." - Ele disse.

"Putz, no horário que eu sempre chego!" - Exclamei assustada.

Pois é, amigos. Até agora estou sem saber o que, de fato, aconteceu. A única certeza que tenho é a de que Deus existe e atrasou o buzu.

domingo, 23 de março de 2008

O que faltou?



Estava lendo alguns emails, posts de blogs e tópicos de comunidades no orkut quando me deparei com uma historinha, cuja autoria me é desconhecida, que me fez refletir um pouco sobre o papel da escola e da família na formação do indivíduo. Vamos a ela:

O diretor de uma escola na periferia recebeu uma verba do estado para uma reforma na escola. Comprou novos bebedouros, pintou as salas, conseguiu novas carteiras e reformou a sala de vídeo inclusive com uma TV novinha e um aparelho de DVD.

O diretor entendia que para conscientizar os alunos a preservar a estrutura da escola era necessário também conscientizar os pais e a comunidade sobre as mudanças na escola. E convocou uma reunião de pais e aberta para pessoas da comunidade.

Infelizmente, poucas pessoas apareceram na reunião, marcada e remarcada inclusive no sábado.

Quando os meninos voltaram à escola, reuniram-se todos no pátio e o diretor falou da importância de se preservar o espaço escolar e tal. Nas salas de aula, os professores reforçaram o que o diretor falou.

1 semana depois os bebedouros estavam com defeito e algumas paredes rabiscadas.

1 mês depois a TV e o aparelho de DVD foram roubados.

Um professor teve seu carro riscado e os pneus furados. Conseguiu transferência para outra escola. A fama da escola violenta espalhou-se. Os alunos estavam sem professor de português, ciências e artes.

E alguns pais entraram em cena: denunciaram num conhecido programa de televisão.

E aí pergunto: o que faltou?

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Para refletir

Não sei se a autoria do texto é mesmo do Arnaldo Jabor, de qualquer forma, está muito bem escrito e nos convida à reflexão.

A VERDADE ESTÁ NA CARA MAS NÃO SE IMPÕE
Arnaldo Jabor

Brasileiro é um povo solidário. Mentira.
Brasileiro é babaca. Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida; pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza; aceitar que ONG's de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade. .. Não protestar cada vez que o governo compra colchões para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.

Brasileiro é um povo alegre. Mentira.
Brasileiro é bobalhão. Fazer piadinha com as imundices que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada. Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai. Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.

Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira.
Brasileiro é vagabundo por excelência. O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe - lá no fundo - que se estivesse no lugar dele faria o mesmo. Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.

Brasileiro é um povo honesto. Mentira.
Já foi; hoje é uma qualidade em baixa. Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.

90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira.
Já foi. Historicamente, as favelas se iniciaram nos morros cariocas quando os negros e mulatos retornando da Guerra do Paraguai ali se instalaram. Naquela época quem morava lá era gente honesta, que não tinha outra alternativa, e não concordava com o crime. Hoje a realidade é diferente. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como 'aviãozinho' do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora, porque podem matar 2 ou 3 mas não milhares de pessoas. Além disso, cooperariam com a polícia na identificação de criminosos, inibindo-os de montar suas bases de operação nas favelas.

O Brasil é um pais democrático. Mentira.
Num país democrático a vontade da maioria é Lei. A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente. Num país onde todos tem direitos mas ninguém tem obrigações, não existem democracia e sim, anarquia. Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita. Se tirarmos o pano do politicamente correto veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores). Todos sustentados pelo povo que paga tributos que tem como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar. Democracia isso? Pense nisso!

O famoso jeitinho brasileiro. Na minha opinião um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira. Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um 'gato' puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar. No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto... malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? Afinal somos penta campeões do mundo né? Grande coisa...

O Brasil é o país do futuro. Caramba, meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avós se ainda estivessem vivos. Dessa vergonha eles se safaram... Brasil, o país do futuro!? Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.

Deus é brasileiro. Puxa, essa eu não vou nem comentar... O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira. Para finalizar tiro minha conclusão: O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse e-mail, meus sentimentos amigo, continue fazendo sua parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente. Aí sim, teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta. Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão. Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: Água doce!

Só falta boa vontade, será que é tão difícil assim?

Arnaldo Jabor