domingo, 13 de abril de 2008

Meus Oito Anos


Fico estarrecida ao ler notícias como essa aqui. A que ponto estamos chegando? Será que a vida humana, e o respeito aos nossos pais perderam todo o valor?

Eu já perdi as contas de quantas vezes minha mãe me negou algo quando eu era criança. Ela tinha esse direito pois era a minha mãe. E não me restava muita coisa a não ser aceitar, mesmo a contragosto. Mas hoje em dia, está cada vez mais comum cenas como a acontecida em Roraima (apesar de a protagonista em questão não ser mais exatamente uma criança).

Alguma coisa está errada e a educação que estão dando aos nosso jovens precisa ser repensada urgentemente. Hoje mesmo estava no salão aguardando a manicure, enquanto observava a cabeleireira fazendo uma escova nos cabelos de uma garotinha. A menina não devia ter mais de dez anos de idade mas se portava como uma pequena adulta. Depois dos cabelos devidamente alisados, foi fazer as unhas. E enquanto folheava a revista Caras, comentava a dificuldade que sentia em dormir sem ar condicionado e há quanto tempo não ia à praia e nem corria muito para não estragar os cabelos.

Eu a olhava e não conseguia deixar de lamentar a perda de época tão boa que é a infância. Lembrava do quanto eu adorava sair àquela hora da tarde para brincar com as outras crianças da rua, fosse de bicicleta, de esconde-esconde, de "baleado", de "cabra-cega" e tantas outras brincadeiras divertidas que criança sempre inventa. Ou inventava. Sim, porque parece que essa época realmente já passou. Crianças hoje se divertem pintando as unhas, escovando os cabelos ou matando as mães para curtir um show.

Finalizo com o belo poema do Casimiro de Abreu, que dá nome ao post e que tão boas lembranças me traz:

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!


(...)

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã.
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberto ao peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! Que saudades que tenho
Da aurora de minha vida (...)


3 comentários:

  1. Com certeza estamos educando nossas crianças muito mal... sem limites, com permissionismos e isso nos trás esse tipo de notícia.
    Entendo que hoje trabalhamos muito e somos mais ausentes que nossos pais, porém isso não nos tira a obrigação de conduzir e acompanhar o crescimento de nossas crianças.

    bj

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  2. Pois é, amiga, infelizmente nem todas as mães são como você: que trabalha o dia todo, estuda mas está sempre ali, pertinho, acompanhando, impondo limites e regrando os meninos para saber tudinho da vida deles como eu vejo você fazer(via né, quando trabalhava comigo, hehe) . E é assim que tem que ser mesmo, educar é saber dizer NÃO.

    Bjs!

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  3. Ainda bem que me casei com uma pessoa sensata e inteligente. Nossos filhos serão bem educados com certeza! Beijos!

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