Ontem fui à dentista para ajustar o aparelho.
Aperta daqui, empurra dali, escolhe corzinha e talz. Saí de lá imaginando a dor féladaputa que iria sentir no dia seguinte (hoje!). Ok.
Liga pra marido, avisa que vai pegar o buzivis e que daqui a pouco estará em casa.
Enquanto espero o bendito transporte público, eis que ouço uma conversa.
Antes, abre parênteses para eu descrever o cenário:
Esse ponto de ônibus fica na entrada de um bairro popular. Lá moram pessoas simples, que ouvem pagodão e arrocha durante o dia e fazem filhos durante a noite, depois da novela das oito. Visualizou?
Fecha parênteses.
Pois, a conversa foi entre uma jovem e uma criança, uma menina. Não peguei o início do papo e nem sei dizer se a jovem em questão era a irmã, a amiga ou a mãe da criança, que não deveria ter nem 10 anos de idade. Mas vamos lá:
(Criança) - ...não-sei-o-que-lá o meu casamento....
(Jovem, zombeteira) - Casamento? Que casamento, menina, hoje em dia ninguém mais casa não! Hahahaha. Hoje a gente FICA, entendeu? FICAR!
(Criança, com uma expressão de quem está confusa) - Ah, mas e pra ter filho, não tem que casar?
(Jovem, zombando mais ainda) - Oxe! Que casar o quê? Só quem casava era o pessoal de antigamente, os velhos, a gente hoje não precisa casar mais não, tu é besta, é? Hahahaha.
(Criança, agora visivelmente desapontada) - Hum...mas eu quero casar...
(Jovem, impaciente) - Vamo, que o buzu chegou, anda!
Não sou puritana mas fiquei triste depois disso. Uma criança daquela idade aprendendo desde cedo a não dar valor ao casamento, à família, sendo ensinada a pensar que isso tudo é bobagem, é passado, é "coisa de velho".
Triste, muito triste.
Por mais que eu também ache que é complicado casamento hj em dia, foi péssimo o que ela fez com uma criança... Corta a expectativa e ensina a ser pessimista...
ResponderExcluirbj