segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A forma de falar (e escrever)

Não, este não é um post sobre sotaque baiano ou as novas normas ortográficas da Língua Portuguesa. É sobre maneiras e maneiras de se conversar, tanto falando quanto escrevendo.

Você já pensou que uma mensagem que você está transmitindo pode não estar sendo recebida da forma que você queria? Que o receptor da mensagem pode estar entendendo algo completamente diferente do que você quer dizer? Ou até mesmo se ofendendo com o que você, com a melhor das intenções, escreveu (no chat, carta, email...)?

Imagine a cena: você tem um chefe que vive te passando trabalhos e mais trabalhos. Talvez por você ser mais eficiente que os demais, talvez por implicância, não importa. Pense que, numa bela sexta-feira, às 17:00h, ele resolve te chamar na sala dele e diz:

- Fulano, quero que você faça uma análise dos dados do fornecedor X, e me entregue o relatório assim e assado porque eu preciso disso até a semana que vem.

Você, que já está até o pescoço com tanta atividade para fazer, sabe que não vai dar tempo e precisa argumentar. O que você diz?

(A) Pô, cara, não vai dar não. Eu tô cheio de coisa, é aquele projeto Z, é o orçamento do setor Y, e agora mais essa! Ou você me tira de algum trabalho ou chama outra pessoa pra fazer!

(B) Sr. Sicrano, eu sei que isso é muito importante e eu adoraria poder ajudar, mas e o projeto Z e aquele orçamento do setor Y que também estão sob a minha responsabilidade? Precisamos estabelecer algumas prioridades, ou então, quem sabe, chamar um colega para me ajudar....O que acha?

Ambas as respostas disseram a mesma coisa, mas de formas diferentes. Qual delas causa a melhor impressão? Fácil, né? A primeira denota má vontade, rebeldia e até agressividade. A segunda já demonstra vontade de servir, respeito, responsabilidade e até comprometimento com o trabalho e os resultados.

Agora pense que, durante todo o dia, além do seu chefe, você conversa com as mais diversas pessoas dos mais diversos graus de proximidade: familia, amigos, colegas de trabalho, vendedores de loja, atendentes de telemarketing (sim, eles também são gente!), ascensoristas... enfim, se você tem o mínimo de vida social, deve prestar atenção nas palavras que usa com as pessoas com quem conversa. Um simples "Você acha que eu não tenho o que fazer em casa não?" (mesmo dito com um sorriso nos lábios) soa bastante malcriado diante de um convite para ir bater perna no shopping e a sua amiga pode se ofender. Por que não dizer: "Poxa, amiga, hoje eu não posso. A empregada tá de férias, e aí já viu,né? Deixa pra próxima!". Bem melhor assim...

Eu tento ter cuidado redobrado quando estou na TPM e preciso enviar emails. Às vezes eu pedia ao colega do lado - que por acaso é o meu marido - para que ele lesse a mensagem antes que eu clicasse em Enviar. E ele quase sempre encontrava algo com potencial ofensivo na mesma. E só depois de devidamente corrigida (ou atenuada a rigidez) eu a mandava. Claro que com o tempo a gente melhora, e hoje eu reviso sozinha os emails. Leio tantas vezes quantas forem necessárias para me certificar que, do outro lado, o destinatário não vai me entender mal ou me achar grosseira.
Com as palavras faladas é mais difícil o controle. Na TPM as piadas dos colegas ficam mais sem graça, a demora no atendimento vira ofensa pessoal e aí quando eu me dou conta, já falei o que não devia. E, sinceramente, fico chateada depois. Por isso nessa época do mês eu prefiro ficar calada, conversar pouco que é melhor pra todo mundo.

Para resumir a história, vou fazer uma proposta: que tal nós, a partir de agora e sempre, avaliarmos tudo o que vamos dizer, escrever e responder, para mantermos nossos diálogos saudáveis, respeitosos e o ambiente mais feliz para todos? Estou quase fazendo uma corrente pra isso...hehehehe
Brincadeirinha, viu? Eu odeio correntes. Aliás, isso é tema para um próximo post.

5 comentários:

  1. Hahahahahaha, muitas vezes eu sou meio agressiva, mas os amigos próximos sabem que é meu jeito... e no fundo sabem que eu sou uma maria mole, chorona.

    bj

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  2. Sinceramente, Alê, eu não te acho nada agressiva, pelo contrário, te acho um doce. Pelo menos comigo você sempre foi :)

    bjão!

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  3. Qdo comecei a trabalhar achava que resolver assuntos por email era uma maneira de garantir o que estava sendo resolvido. Hoje evito muito porque, por experiência, vi que causa mais mau entendido do que resolve problema.

    Aceito sua sugestão, principalmente quando for resposta escrita e complemento que não devemos levar tão a sério uma ofensa, é melhor acreditar que foi ruido de comunicação.

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  4. É Geo, também faz parte do "exercício de sobrevivencia" acreditar que a outra parte não agiu por querer.

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  5. É eu sei o que é isso, muito nova aprendi esta forma política de resolver assuntos, inclusive no blog já passei por isso, fui atacada sem ter culpa, mas no fim deu tudo certo, usando paciencia e boas palavras.
    Se todos pensassem assim o mundo seria mais fácil.
    Beijocas

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